Dogmas, não! Poesia!

A propósito do texto proposto como 1ª leitura para este domingo (20.01.2019): Isaías 62,1-5

Por amor de Sião não me calarei,
por amor de Jerusalém não terei repouso,
enquanto a sua justiça não despontar como a aurora
e a sua salvação não resplandecer como facho ardente.
Os povos hão-de ver a tua justiça
e todos os reis a tua glória.
Receberás um nome novo,
que a boca do Senhor designará.
Serás coroa esplendorosa nas mãos do Senhor,
diadema real nas mãos do teu Deus.
Não mais te chamarão «Abandonada»,
nem à tua terra «Deserta»,
mas hão-de chamar-te «Predilecta»
e à tua terra «Desposada»,
porque serás a predilecta do Senhor
e a tua terra terá um esposo.
Tal como o jovem desposa uma virgem,
o teu Construtor te desposará;
e como a esposa é a alegria do marido,
tu serás a alegria do teu Deus.

Fascinante, que um poeta do século V antes de Cristo exprima a sua fé e traduza a relação Deus-humanidade com um poema de amor, ainda por cima desta beleza! Fascinante!

Será que a Igreja, na sequência das discussões teológicas dos primeiros séculos, altura em que teve de preocupar-se com as clarificações teológicas que deram origem ao nosso credo, perdeu o sentido da poesia na sua linguagem sobre Deus?

Será que  a nossa imagem de Deus e a forma como entendemos a nossa relação com Ele se racionalizou de tal modo que Deus passou ser apenas a „causa“ última das coisas, o relojeiro do mundo, a verdade inacessível?
E se Deus for antes o amante apaixonado, o noivo ansioso, o marido fiel?!

Na „dogmatização“ da religião não é questão de uma fé que procura ser racional. É antes a  questão de poder e de dominação.  As fórmulas, as dos dogmas, as dos catecismos, as dos livros únicos, são sempre instrumentos do poder. Os subordinados apenas têm de responder „amen“ e quem não o diz… é herege, dissidente, infiel.  Os crentes de uma religião de catecismos nem têm de pensar por si, nem são desafiados a amar. Apenas aceitar o que outros pensam „para eles“.
O encontro com Deus pela via mística, que se traduz em poesia, e se exprime na linguagem do amor, foi sempre olhado com desconfiança.

Isaías não poupa as palavras. A quem ama ele promete tudo:  „receberás um nome novo“. „Serás coroa esplendorosa nas mãos do Senhor, diadema real…“ .

Será que no nosso tempo teremos de voltar a falar de Deus predominantemente nesta linguagem dos poemas de amor?! Quem sabe? os nossos contemporâneos, que se prezam de ser agnósticos e indiferentes, abririam os seus ouvidos e começariam a escutar com interesse…

jn
18.01.2019

 

 

 

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Ao serviço da justiça

A propósito do texto proposto como 1ª leitura para este domingo (13.01.), Festa do Baptismo do Senhor : Isaías 42,1-4.6-7

Diz o Senhor:
«Eis o meu servo, a quem Eu protejo,
o meu eleito, enlevo da minha alma.
Sobre ele fiz repousar o meu Espírito,
para que leve a justiça às nações.
Não gritará, nem levantará a voz,
nem se fará ouvir nas praças;
não quebrará a cana fendida,
nem apagará a torcida que ainda fumega:
proclamará fielmente a justiça.
Não desfalecerá nem desistirá,
enquanto não estabelecer a justiça na terra,
a doutrina que as ilhas longínquas esperam.
Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça;
tomei-te pela mão, formei-te
e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações,
para abrires os olhos aos cegos,
tirares do cárcere os prisioneiros
e da prisão os que habitam nas trevas».

Alguns exegetas pensam que este “servo” de quem Deus fala e que Deus apresenta – num texto que alguns séculos mais tarde as primeiras comunidades cristãs aplicam a Jesus – seria nem mais que o próprio Ciro, rei da Pérsia, que, como é sabido, ocupou Babilónia e no ano 538 deu autorização para que os israelitas regressassem à sua terra.  Terá Ciro agido para agradar a JaHWeH, o Deus dos exilados? Certamente que não. Não O conhecia. Mas por dar um contributo decisivo para a libertação deste povo, o Profeta vê nele um Servo de Deus, descobre nele o Espírito de Deus em acção.

Estamos perante uma nova visão, original, da história da salvação: lá onde acontece a justiça (a palavra aparece 4 vezes neste pequeno texto!), lá onde se respeita a fragilidade da “cana fendida” e se dá valor a todos os sinais de esperança (“torcida que ainda fumega”), aí está Deus envolvido. E todos os que se empenham nestas causas da justiça, da dignidade humana, da defesa profética dos pequenos e dos pobres, são “servos” de Deus. Deus os apresenta e recomenda, e diz que Ele mesmo os chamou – “o meu eleito!” – , lhes deu o Seu Espírito e lhes confiou tal tarefa. A salvação acontece com todos os que nela colaboram, não importa se disso estão ou não conscientes, venham deste ou daquele quadrante, e mesmo se as suas motivações denotam algo de ambiguidade. Deus escreve direito por linhas tortas. Deus faz chegar ao mundo a sua salvação, “servindo-se” de todos os que procuram a justiça e o bem, pessoas de boa vontade, mesmo se estas nem a Deus conhecem.

Pela primeira vez na história da Igreja, João XXIII dirigiu uma das suas encíclicas – “Pacem in Terris” (1963)-  aos “homens de boa vontade”. Não só aos fiéis da Igreja ou aos crentes desta ou daquela religião, mas a todos os que quisessem colaborar na construção da paz. Esta abertura de João XXIII está bem na linha dos grandes profetas de Israel, que nos ensinam a ler a história com o olhar de Deus, e nos mostram este Deus – JaHWeH – sempre preocupado com a justiça, para o seu povo e para todos os povos da terra (“justiça às nações”).  A todos os que se dispõem a colaborar,  Ele dá o Seu Espírito. Neste empenhamento nas grandes causas de Deus a favor da vida da humanidade, há um verdadeiro “baptismo” – um chamamento e uma adesão à salvação de Deus. Servos de Deus ao serviço da justiça que Deus quer para todos.

Jn
08.01.2019

 

 

 

 

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Bom Ano Novo!

Deixar as últimas horas de um ano que finda
reconhecido

Entrar nas primeiras horas de um ano que começa
confiante

– eis o que desejo para mim
e para todos amigos bem como para todos os leitores deste blog

Bom Ano Novo 2019 !

 

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O sonho dos crentes

A propósito do texto proposto como primeira leitura para este domingo, 06.01., festa da Epifania  Isaías 60,1-6

Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz
e brilha sobre ti a glória do Senhor.
Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos.
Mas sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina.
As nações caminharão à tua luz
e os reis ao esplendor da tua aurora. Olha ao redor e vê:
todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe
e as tuas filhas são trazidas nos braços. Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá.
Virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando as glórias do Senhor.

O sol sobre a cidade torna Jerusalém uma cidade fascinante. Do nascer ao por do sol, a luz vai-lhe dando tons de beleza. Já assim era no tempo em que foi escrito este texto do livro de Isaías (da terceira parte do livro, que se costuma designar também pelo nome “Tritoisaías”) ?  Talvez.
Aqui trata-se de uma cidade que vê chegar ao fim um período de destruição e de ruínas. Muitos dos seus habitantes regressam do Exílio e lançam-se à reconstrução da cidade. Trabalho penoso e lento. Para os animar, um profeta lança este sonho de uma cidade que de repente, do dia para a noite, se vê no centro da peregrinação de todo um povo e mesmo de nações estrangeiras, cidade de prosperidade e de riqueza, de alegria e de festa!

Todos os povos necessitam de sonhos para enfrentar o futuro, sobretudo em tempos de depressão ou pessimismo!
Todos os seres humanos necessitam de sonhos para transfigurar a vida e o dia de amanhã!
Todos os crentes em JaHWeH têm “obrigação” de ser profetas destas visões que fazem avançar os povos e os humanos. Fazê-lo em nome do Deus que tem a sua glória na vida abundante das criaturas e prometeu não abandonar o seu povo ao ocaso da história.

Os primeiros cristãos (vindos do judaísmo) assim o perceberam: para afirmar a sua fé no Messias Jesus, contaram-se uns aos outros o sonho de uns magos do Oriente que reconhecem este “Rei” que para outros era apenas mais um condenado da história! Era apenas uma visão? Um sonho? Mas se essa visão dos magos os encorajou a atravessar fronteiras e ir procurar os povos fora do judaísmo para lhes anunciar o Messias que eles procuravam sem conhecer, então a visão tornava-se realidade!

Jn
31.12.208

 

Se quiser, pode ler também a reflexão a partir do evangelho deste domingo, aqui disponível no arquivo deste blog: https://jamnunes.wordpress.com/2015/01/02/deus-de-todos-os-povos/

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O Deus que aplana caminhos

A propósito do texto proposto como 1ª leitura para este domingo (09.12.), 2º domingo do advento: Baruc 5,1-9

Jerusalém, deixa a tua veste de luto e aflição e reveste para sempre a beleza da glória que vem de Deus. Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e coloca sobre a cabeça o diadema da glória do Eterno.
Deus vai mostrar o teu esplendor a toda a criatura que há debaixo do céu;
Deus te dará para sempre este nome: «Paz da justiça e glória da piedade».
Levanta-te, Jerusalém, sobe ao alto e olha para o Oriente:
vê os teus filhos reunidos desde o Poente ao Nascente, por ordem do Deus Santo, felizes por Deus Se ter lembrado deles. Tinham-te deixado, caminhando a pé, levados pelos inimigos; mas agora é Deus que os reconduz a ti, trazidos em triunfo, como filhos de reis.
Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales, para se aplanar a terra, a fim de que Israel possa caminhar em segurança, na glória de Deus.
Também os bosques e todas as árvores aromáticas darão sombra a Israel, por ordem de Deus, porque Deus conduzirá Israel na alegria, à luz da sua glória,
com a misericórdia e a justiça que d’Ele procedem.

Os evangelhos aplicam a João Baptista aquilo que o livro de Baruc (escrito aí pelo séc. II antes de Cristo) afirma do próprio Deus: ELE mesmo vai aplanar os caminhos para reconduzir a casa os filhos de Israel. Eles voltam felizes, porque este Deus se lembrou deles… Mais uma vez, Deus revela-se como Deus libertador!

O tema do regresso a casa depois de um cativeiro, da recondução em liberdade depois da servidão, da reunião depois da dispersão, constitui o essencial da experiência do Êxodo. Sempre que sente que a sua história avança, que uma crise é ultrapassada, que um novo recomeço se proporciona, Israel faz uma leitura de fé utilizando a experiência do Êxodo como paradigma, como chave de leitura, como código de interpretação. Um novo êxodo acontece ou se anuncia! É momento de salvação!

Este texto do livro de Baruc não deixa lugar a dúvidas:  o futuro é obra de Deus. É a mão de Deus, é o poder de  Deus que se manifesta como outrora na saída do Egipto. O Deus que abriu o mar é agora o Deus que “aplana os montes” e “endireita as colinas”, que abre caminhos e os aponta ao seu povo.  É a misericórdia e a justiça de Deus que se manifesta!

Na Igreja e no mundo de hoje, fala-se muito de “crise” de Deus e “crise de fé”. Crise de “visibilidade“ de Deus num mundo cada vez mais marcado pela secularização. Crise de religiosidade numa geração cada vez mais insensível à transcendência (alguém lhe chamou os “sem-tecto” de transcendência)  e desabituada de “ver o invisível”.

Enquanto João Baptista coloca entre as nossas tarefas essa de aplanar os caminhos para Deus (e nós, tantas vezes, nos sentimos incapazes, daí a frustração reinante…), Baruc assegura-nos que será Deus mesmo a aplanar estes caminhos onde nós “regressamos a casa”, para nos encontrarmos com Ele e olharmos o futuro com confiança!

São duas perspectivas sobre a mesma realidade… a de Baruc dá-me mais consolação!

Jn
04.12.2018

Se quiser, também pode ler a reflexão feita a partir do evangelho deste domingo, aqui disponível no arquivo deste blog em https://jamnunes.wordpress.com/2015/12/03/deus-escreve-direito-por-linhas-tortas/

 

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Direito e justiça

HA propósito  do texto proposto como primeira leitura para este domingo (2.12.2018) primeiro domingo do advento C: Jeremias  33,14-16

Eis o que diz o Senhor: «Dias virão, em que cumprirei a promessa que fiz à casa de Israel e à casa de Judá: Naqueles dias, naquele tempo, farei germinar para David um rebento de justiça que exercerá o direito e a justiça na terra.
Naqueles dias, o reino de Judá será salvo e Jerusalém viverá em segurança.
Este é o nome que chamarão à cidade: ‘O Senhor é a nossa justiça’».

”A fé cristã é sempre uma fé em busca da justiça”: quem o escreveu foi o grande  teólogo alemão Johann Baptist Metz (1). Metz interroga-se até que ponto  os cristãos  não se terão despedido cedo demais e apressadamente da questão bíblica da justiça. “Não será – pergunta-se –  que o cristianismo ao longo dos tempos se interpretou como religião exclusivamente sensibilizada para o pecado e muito pouco sensível para com o sofrimento?”

Concordo. Creio também que neste campo como em muitos outros foi uma desgraça que a igreja se tenha separado da sinagoga; que a teologia cristã (reflexão da articulação Deus – humanidade – mundo) se tenha considerado superior à teologia de Israel; que o “novo” testamento tivesse sido entendido como superação e portanto negação do valor e da necessidade do “antigo”.  Perdemos assim, sem mais, a ligação directa e o acesso por via de tradição “familiar”a toda a ética social do Primeiro Testamento, a toda a procura da justiça que se revela na Torah, a toda a sensibilidade profética para com o sofrimento dos pobres, das viúvas e dos órfãos,  para citar apenas estes 3 grupos representativos da pobreza e da falta de direitos nos tempos bíblicos.

E Jesus apresentou-se como Messias: rebento na velha  casa de David, com o encargo divino de trazer a justiça e o direito a todos aqueles que deles estavam privados: “o Espírito do Senhor repousa sobre mim e me enviou para anunciar a boa nova aos pobres, a  liberdade aos cativos, a todos um ano jubilar (ano em que as dívidas eram perdoadas e as terras penhoradas voltavam aos seus donos empobrecidos…). Queremos melhor programa de justiça?

Com muito custo a Igreja tem vindo tentar recuperar esta perda de uma doutrina social, de uma mística política. Desde Leão XIII (finais do século XIX) vão-se publicando encíclicas sociais. Mas o comum dos cristãos está longe de viver desta “mística dos olhos abertos” que descobre Deus no Outro, sobretudo no Outro que sofre,  no injustiçado, no excluído. Em vez disso, ganham sempre mais adeptos  as “místicas” dos olhos fechados a “ver” Deus na intimidade (na própria, fechada ao Outro) e se deixam levar por uma linguagem pietista de sentimentos sem consistência.

Entre os sentimentos bíblicos messiânicos da procura de Deus estão a “fome e a sede de justiça”. Que venha o Messias, e Ele saciará essa fome e essa sede. É este Messias que Jeremias anuncia. É esta a “cidade”, a morada, que Jeremias promete a todos os que assim crêem: “O Senhor é a nossa justiça!”

Jn
29.11.2018

(1) Johann Baptist Metz, Mystik der Offenen Augen, Herder 2011, s. 20-21

Se quiser, leia também a reflexão feita a partir do Evangelho deste domingo aqui disponível no arquivo deste blog em https://jamnunes.wordpress.com/2015/11/27/a-crise-e-o-kairos/

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Dar sentido à história

A propósito do texto da 1ª leitura deste domingo (25.11.2018), Festa de Cristo Rei, ano B:
Daniel 7,13-14

Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu,
veio alguém semelhante a um filho do homem.
Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença.
Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza,
e todos os povos e nações O serviram.
O seu poder é eterno, não passará jamais, e o seu reino não será destruído.

A fé bíblica em Deus JaHWeH,  como ela é assumida por Israel e pelos cristãos, apresenta-se desde muito cedo  – pelo menos desde os escritos deuteronomistas, por volta do sec. VI aC – com a pretensão de ser também interpretação da história. E tal como esta fé “desmontou” os mitos cosmogénicos (sobre a origem do mundo e das coisas), ao afirmar que não há divindades nas coisas, nem à face da Terra, nem no firmamento dos céus nem nas profundezas do “inferno”, assim também esta fé ousou aventurar-se com afirmações desmitificantes sobre a história e sobre os poderes históricos, tendo como base uma afirmação central: só JaHWeH é o Senhor da História, só Ele tem nas mãos o poder definitivo e eterno.

O livro de Daniel anima a esperança do seu povo perseguido quase sem pausa pelos impérios da época com este tipo de afirmações. As suas visões sobre os sucessivos impérios e domínios do Médio oriente, simbolizados pela figura de bestas, são culminadas com a figura do Velho – Deus, o “Ancião”  venerável – que tem um trono de fogo e é servido pelas miríades dos anjos. Ele mesmo vem pôr fim a esses impérios-besta, caracterizados pela opressão e perseguição dos crentes. Ele decide sobre o rumo da história. E é Ele quem entrega todo este poder sobre a história a um misterioso Ser Humano, um filho da humanidade. E , com este poder recebido de Deus,  este “Filho de Homem” virá reunir todos os povos da Terra, todas as nações, todas as línguas.

Filho de Homem: para Israel,  o Messias esperado. Para os cristãos, Jesus Cristo, Messias de Deus, que, segundo os evangelhos, aplicou a si mesmo este “título” do Livro de Daniel.

Uma fé que se envolve na história, que tenta interpretá-la, mas sobretudo que não abdica do “princípio da esperança” (Ernst Bloch), sabendo que o mundo avança do “caos” para o “cosmos” (Teillard de Chardin), e que, finalmente, Deus é o único que tem nas mãos todo o poder, toda a realeza: esta é a nossa fé. Só Deus é Senhor. Os pequenos “senhores” do mundo, os impérios de sempre que se querem fazer passar por invencíveis, fariam bem ler a visão de Daniel capítulo 2. Todos se poderiam reconhecer na visão desta estátua gigante, que, tendo a cabeça de ouro (!), tem pés de barro, a ponto de bastar uma pequena pedra rolante para a fazer tombar.

Neste sentido, a fé cristã não se pode deixar tentar pela linguagem intimista  (tão em moda em grupos de uma piedade dita „carismática“) para se dedicar às grande visões da história.  Sem deixar a liturgia, tem de ser cada vez menos moral e cada vez mais profecia.

Jn

Se  quiser também pode ler a reflexão feita a partir do evangelho deste domingo aqui disponível no arquivo deste blog em
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