Buscar o Vivente !

Reflexão sobre Lucas 24,1-12, texto proposto para a noite da Páscoa

«Porque buscais o Vivente entre os mortos?
Não está aqui; ressuscitou! Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galileia” (Lc 24.6)

Para os primeiros discípulos, a experiência da ressurreição não foi fácil de articular em palavras.
A primeira expressão da dificuldade desta experiência é a de querer procurar Jesus entre os mortos. Procurar alguém entre os mortos é, pura e simplesmente, aceitar que ele está morto.  Mas como aceitar a morte do Justo? E como continuar a causa de um morto? A  sua utopia? O seu sonho?   como continuar o seu Evangelho, se o procuramos entre os mortos?

A dificuldade parece basear-se, segundo o evangelho de Lucas, numa falta de memória que os impede de compreender o que acontece à luz da suas “palavras”, daquilo que ele lhes tinha dito já na Galileia…Duas vezes se faz menção à memória, ao lembrar. E os discípulos de Emaús também são convidados a lembrar o que disseram os profetas (Lc 24,25). Esquecer é “enterrar” no tempo. E quem ama não esquece.

A segunda dificuldade estava em ultrapassar uma certa paralisia que afectava aqueles homens e aquelas mulheres. A morte paralisou-os. A ressurreição repõe em movimento este grupo que tinha vindo com Jesus desde a Galileia. Voltar à Galileia, para ver Jesus, é o desafio num dos Evangelhos. E a Galileia é o tempo e o lugar do Evangelho, do Sermão da Montanha, das bem-aventuranças, do encontro de Jesus com um povo ansioso de salvação.

Onde buscamos Jesus hoje, se é que o buscamos?  Onde o o procuramos e com que perguntas?
Nós, cristãos de hoje, quando queremos falar da ressurreição de Jesus, estamos condicionados pelas expressões, pela linguagem  da experiência dos primeiros discípulos.
Dizer  “o sepulcro está vazio” é dizer: não o buscaremos entre os mortos, nem nos museus (mesmo que esses museus sejam igrejas!) nem nos mausoléus.  Buscá-LO-emos entre os vivos, entre aqueles com quem ele gostava de viver e conviver: os pobres e humildes, os “leprosos” (excluídos), os marginalizados da religião (os tidos por pecadores), as vítimas…

Dizer “Jesus ressuscitou” é dizer: Deus confirmou e aprovou o seu Evangelho, a sua Mensagem, a sua palavra libertadora! Tudo o que ele disse e fez continua válido e actual, tem o “selo” de Deus, que o ungiu!

Dizer “vimos o Senhor” é dizer que podemos ainda hoje encontrar-nos pessoalmente com este Jesus; que ele pode vir – e vem ! – bater à nossa porta; pode vir “cear” connosco numa ceia de amizade, ou então pode vir caminhar connosco um troço do nosso caminho para escutar os nossos problemas e os problemas do mundo…

Dizer “O Senhor ressuscitou!” é dizer: Jesus vive e está no meio de nós ! É dizer: Jesus Vive e torna viva a nossa fé! É dizer: vive e caminha connosco!

Jn
Páscoa 2016

 

 

 

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Über nunes2013

Sou assistente pastoral numa comunidade católica de língua portuguesa. Depois de nos últimos três anos (2013-2016) ter publicado reflexões sobre os evangelhos de domingo (que continuam aqui disponíveis), passarei a partir de agora a escrever pequenos comentários à 1ª leitura do domingo (quase sempre do Primeiro Testamento). Por necessidade e por opção, gosto de reflectir semana a semana os textos que nos são propostos para as celebrações dominicais. Esforço-me por partilhar a minha reflexão aqui, nesta página, à terça-feira. Para além disso, escrevo sobre temas relacionados com e/imigração e sociedade multicultural. O meu nome: Joaquim A Marques Nunes. A minha sigla: jn (Não escrevo segundo as normas do novo acordo ortográfico!).
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