Certezas na hora da despedida

A propósito do texto do evangelho proposto para este VI domingo da Páscoa C: João 14,23-29. Leia o texto bíblico!

segnende haende   Jesus de Nazaré impressionou as pessoas não pela sua maneira de vestir, nem pela sua maneira de comer, mas pela sua Palavra, pelo que anunciava e pelo modo autêntico e coerente como o anunciava. A Sua Palavra era uma Boa Nova, era „evangelho“ („O Espírito do Senhor está sobre mim e me enviou para anunciar a boa nova aos pobres“ Lc 4).

Era a Boa Nova do amor de Deus: um Deus não distante mas próximo da vida das pessoas e atento aos seus problemas.

Era a Boa nova do perdão e da misericórdia: por uma religião não de castigo e de julgamento, mas de compreensão, de misericórdia…

Era a Boa nova da liberdade dos filhos de Deus: por uma moral não de leis nem de proibições, mas de liberdade…

Ao despedir-se, – e o Evangelho que hoje reflectimos é, no Evangelho de João, um texto de despedida, – Jesus como que se mostra preocupado com o futuro desta Boa Nova: será que os discípulos vão guardá-la em toda a sua „novidade“ e vivê-la em toda a sua radicalidade?

Será que se vão manter fiéis a este Evangelho, ou vão retroceder e cair de novo em imagens de Deus distorcidas, numa religião feita de ameaças, numa moral a transbordar de leis mais ou menos pesadas…

Jesus promete então a „assistência“ do Espírito, que os conduzirá à verdade. O Espírito há-de ajudar nesta procura de fidelidade ao Evangelho, em todas as situações. Mas saberemos nós ouvir o que o Espírito diz à Igreja, o que o Espírito nos diz?
Para o Concílio Vaticano II, é claro que a Igreja precisa da assistência desse Espírito para poder estar atenta, saber ler e interpretar os sinais dos tempos, assim como para agir de forma „agiornada“, no aqui e agora, aos desafios que esses sinais colocam à Igreja. O Espírito mantém-nos nesta preocupação permanente de „lembrar“ o que Jesus nos disse e nos deixou e, ao lembrar, actualizar.

Sabemos bem – a história no-lo conta e nós mesmos vemos – como a Igreja tantas vezes acaba por se agarrar às suas leis, à sua moral, às suas seguranças, em vez de procurar a fidelidade à Boa Nova e ao Espírito que a anima. Agarra-se à letra: à letra das liturgias e dos missais; à letra do direito canónico e do catecismo; às vezes até à letra da Bíblia, numa leitura fundamentalista que não leva a lado nenhum…  Fazer a memória de Jesus é outra coisa!

Jesus despede-se e deixa-nos a paz.  Não a paz à maneira do mundo, feita de compromissos e de estratégias, mas a paz de sentir que não estamos sós, entregues a nós mesmos,  a paz de saber que Jesus continua a ser, pelo Seu Espírito, o nosso companheiro de caminho. A confiança na Sua presença ausente. E essa certeza, na hora da despedida, é fonte de Paz: „não se perturbe o vosso coração!“.

Jn
Jo 14,23-29

 

 

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Über nunes2013

Sou assistente pastoral numa comunidade católica de língua portuguesa. Depois de ao longo de três anos (2013-2016) ter publicado reflexões sobre os evangelhos de domingo (que continuam aqui disponíveis), escrevo agora semanalmente pequenas reflexões a partir do texto bíblico da 1ª leitura do domingo (quase sempre do Primeiro Testamento). Por necessidade e por opção, gosto de reflectir semana a semana os textos que nos são propostos para as celebrações dominicais. Esforço-me por partilhar a minha reflexão aqui, nesta página, à terça-feira. Para além disso, escrevo sobre temas relacionados com e/imigração e sociedade multicultural. O meu nome: Joaquim A Marques Nunes. A minha sigla: jn (Não escrevo segundo as normas do novo acordo ortográfico!).
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