A Palavra

A propósito do texto proposto como primeira leitura deste domingo, 16.07.2017, 15º domingo comum A: Isaías 55,10-11

A arma do poeta e a força do profeta é a palavra. Que seria do profeta se não acreditasse na força e na eficiência da sua palavra? Se não acreditasse que a sua palavra é semente e é fermento, ou, para usar as palavras de Isaías, é chuva ao encontro das raízes, é água fresca ao encontro da nossa sede?  O profeta acredita que o próprio Deus é garante da eficiência da Palvra que ele profere, porque ele se colocou ao serviço de Deus, dando as suas palavras humanas à Palavra de Deus.

JaHVeH, o Deus de Israel e dos cristãos, revela-se como um Deus que recusa ser o deus das trovoadas e tempestades, dos dilúvios e dos incêndios, que renuncia mesmo à eficiência imediata da sua palavra – „Deus disse e assim aconteceu“ – para ser o Deus da Palavra que é dirigida ao ser humano como convite – esse convite que Ele dirigiu a Abraão e continuou a ser dirigido a profetas e peregrinos, como o fez Jesus de Nazaré  e continua a ser dirigido hoje… „A palavra de Deus foi dirigida a João no deserto“… a cada um de nós hoje nos desertos do mundo.

Deus da Palavra, não da força. Deus em diálogo permanente com o ser humano, correndo o risco de que as suas palavras caiam em ouvidos moucos, ou dêem com um clima de „indiferença“, de aparente ou real secularização…  Deus aposta que a Sua Palavra não voltará a Ele sem produzir os seus efeitos. Anda pelo mundo a trabalhar „silenciosamente“, discretamente. Será poema e profecia. Será declaração de amor. Será palavra de Misericordia. E não deixará de produzir o seu efeito.

 

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Über nunes2013

Sou assistente pastoral numa comunidade católica de língua portuguesa. Depois de nos últimos três anos (2013-2016) ter publicado reflexões sobre os evangelhos de domingo (que continuam aqui disponíveis), passarei a partir de agora a escrever pequenos comentários à 1ª leitura do domingo (quase sempre do Primeiro Testamento). Por necessidade e por opção, gosto de reflectir semana a semana os textos que nos são propostos para as celebrações dominicais. Esforço-me por partilhar a minha reflexão aqui, nesta página, à terça-feira. Para além disso, escrevo sobre temas relacionados com e/imigração e sociedade multicultural. O meu nome: Joaquim A Marques Nunes. A minha sigla: jn (Não escrevo segundo as normas do novo acordo ortográfico!).
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