Monet, Orangerie

Monet_orangerie_detail   C. Monet, Les Nimpheas (pormenor), Museu Orangerie, Paris

Criada a luz, separadas as águas
era azul
o mundo neste segundo dia da criação

E o pintor
ofereceu-se para ajudar o Criador
a povoar
de beleza as águas primordiais

Serenas eram as folhas
de nenúfar
testemunhas de uma paz
que pouco depois se perderia

O mundo era um planeta oval
e o Espírito de Deus
pairava sobre as águas
nas pinceladas de azul

Jn
17.06.2017

„A quem a habitasse,  esta sala ofereceria um exílio de meditação cheio de paz, no centro de um aquário florido“ (C. Monet, sobre a sua obra neste lugar)

 

Veröffentlicht unter ao jeito de poema, Uncategorized | Verschlagwortet mit , , | Kommentar hinterlassen

Retratos de Cézanne

IMG_0030.JPG Weiterlesen

Veröffentlicht unter ao jeito de poema, Uncategorized | Verschlagwortet mit , , | Kommentar hinterlassen

Deus precisa de um povo?

A propósito do texto proposto como primeira leitura deste domingo, 18.06, 11º domingo comum A: Ex 19,2-6a. Leia o texto por exemplo em http://evangeliumtagfuertag.org 

Desde muito cedo os crentes de Israel tinham consigo uma pergunta importante, à qual nem sempre era fácil responder. A pergunta era importante porque mexia com a própria identidade ou com a consciência da identidade deste pequeno povo. E a pergunta era mais ou menos esta: como foi que Deus de entre todos os povos escolheu („elegeu“) Israel para seu „povo“ no meio de todos os povos: porquê e para quê?!
Não foi pela sua grandeza económica ou cultural. Este pequeno povo de pastores e pequenos agricultores nem possuía força militar ou económica nem produção cultural que pudesse ser atestada em monumentos, palácios ou produções literárias…
Não foi pela sua importância geo-política ou militar. Povo pouco numeroso, em comparação com seus vizinhos, era de conquista fácil, e pela posição geográfica ocupava um lugar de „almofada“ entre o Egipto e a Assíria (actual Iraque), sendo  alternadamente dominado por um ou por outro. Mais tarde, viriam os persas, os gregos, os romanos que ocupavam toda a região.

Porquê então esta „eleição“? A resposta dos profetas e escritores bíblicos não era explicação mas respondia: Israel „achou graça“ aos olhos de Deus sem que o merecesse. Desde Abraão que JHVH se foi dirigindo a ele. A iniciativa foi sempre de JHVH. Israel mais não teve que responder com um „Sim“ mais ou menos consequente aos convites de Deus.

Eleição para quê? Aqui parece-me que a Bíblia mostra um claro desenvolvimento na resposta que vai dando e é aos poucos que Israel entende que o seu chamamento, a aliança de Deus com Israel, se destina à salvação de todos os povos. Israel não pode guardar só para si a fé neste Deus pessoal, amigo, libertador, mas tem de passá-la aos povos. E fá-lo-á tanto melhor quanto mais viver e levar a sério esta aliança com Deus, este pacto que Deus tomou a iniciativa de propor-lhe no Sinai, depois de o ter tirado do Egipto.

„Agora, se ouvirdes a minha voz,  se guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade especial entre todos os povos.“  (Ex 19, na leitura deste domingo)

Podendo „fazer tudo sozinho“, Deus preferiu recorrer a intermediários, nesta preocupção de encaminhar a humanidade por caminhos de verdade, de justiça, de fraternidade. Abraão entendeu-o: „serás fonte de bênçãos para todos os povos“. Abraão, Moisés, todo o Povo de Israel, e depois Jesus, os discipulos, a Igreja… todos são, cada um a seu jeito, apontadores dos caminhos de Deus, intermédiários, sacerdotes, „pontífices“.

O Papa Francisco introduziu uma palavra nova no vocabulário pastoral. A Igreja tem de ser uma igreja „saideira“, em saída. Uma Igreja que não se fecha nem se resguarda, fazendo-se „bunker“ de uma doutrina ou de uma „moral“, mas uma Igreja que sai à rua, que não tem medo de sujar as mãos e os pés, para manter limpo o coração, uma igreja-intermediária que deixa o centro (ou de se entender como centro) para passar a frequentar a(s) periferia(s).

Saímos? Ousará Igreja avançar por caminhos novos na confiança neste Deus que nos envia, ou vamos continuar fechados nas nossas tradições, mesmo se elas não parecem capazes de dar resposta aos novos desafios? Dois exemplos:
– a abertura do ministério de presbítero (o „ancião“: aquele que preside à eucaristia da comunidade, e, por essa razão, à própria comunidade) a homens casados viria ajudar a resolver a actual situação de definhamento das comunidades. Porque não se avança?
– a exclusão das mulheres dos ministérios atinge proporções de escândalo, numa humanidade que há dezenas de anos descobriu, mesmo se a custo, os direitos humanos, e entre eles os que afirmam e reafirmam a igualdade e igual dignidade de homens e mulheres. Um escândalo que seja uma instituição que se quer herdeira do evangelho de Jesus de Nazaré a opor-se-lhe na pratica!. Até quando?

Povo de Deus para os povos da terra: a igreja dos crisãos tem-se como herdeira (mesmo se na teologia moderna sem pretensão de ser a única) desta proposta de Deus a Israel. Assim se explicaria, se daria resposta ao „porquê“ e ao „para quê “ da „eleição“. Que testemunho damos deste Deus entre os povos de toda a terra? Por que causas lutamos? Que opções nos definem?

Jn

Veröffentlicht unter Palavras que não passam (AT), Uncategorized | Verschlagwortet mit , , , , , | Kommentar hinterlassen

Festa do Corpo de Deus

Veja a reflexão proposta para este dia já feita neste blog :
https://jamnunes.wordpress.com/2014/06/19/a-festa-do-pao-partido-para-a-vida-do-mundo/

Veröffentlicht unter Uncategorized | Kommentar hinterlassen

10 de Junho: Portugal de Camões e das comunidades portuguesas

10 de Junho

Quero lembrar o dia da morte de Camões,
mas quero sobretudo celebrar esse gigante da língua portuguesa
Herói dos Lusíadas poeta dos sonetos de amor
e comprometer-me com a beleza da língua
pátria que nos abriga em cada palavra herdada de gregos e romanos
Caravela que fez de nós mundo maior do Brasil até Timor

Quero celebrar o Dia de Portugal
n o orgulho de sentir a grandeza de um país pequeno
que em poucos quilómetros quadrados insiste en guardar lugar
para milhões de emigrantes que um dia querem voltar
da diáspora pelo globo da procura do pâo ou da aventura
da qual hão-de voltar vivos ou não à Terra que os instigou a partir

Quero celebrar Portugal
sem barreiras sem fronteiras
sem complexos de superioridade
nem traumatismos de uma grandeza perdida:
Somos um povo feito de abertura e sem medida talhado
e falamos a língua de Camões: melodia da saudade, letra de um fado !

jn
10 06 2017

 

Veröffentlicht unter actualidade, Uncategorized | Verschlagwortet mit , | Kommentar hinterlassen

Deus Presença

A propósito do texto bíblico proposto como primeira leitura para este domingo da Santíssima Trindade: Ex 34,4b-6.8-9.
Leia o texto por ex. em http://evangeliumtagfuertag.org
Se quiser também pode ler outra reflexão sobre a „Santíssima Trindade“ aqui neste blog: https://jamnunes.wordpress.com/2014/06/15/deus-trindade-o-amor-na-igualdade-e-na-diferenca/

Encontramos no livro do Êxodo várias das experiências fundamentais da  fé de Israel e que é também a fé dos cristãos.
Uma é a revelação/descoberta de um Deus que “vê, ouve e conhece” a nossa vida, –  JHVH -,  e que intervém para nos libertar de tudo aquilo que nos pode escravizar, alienar, impedir de sair para “adorar em liberdade”.
Outra é a experiência da „aliança“: Deus propõe-se fazer-se “Presença” permanente, comprometida, no meio do seu povo e de caminhar com ele – “Vós sereis o meu povo, eu serei o vosso Deus” -tornando assim colectiva, aplicada ao povo inteiro, a experiência que já Abraão tinha feito com o seu Deus .
Outra ainda é a experiência do amor e do perdão de Deus que, perante um parceiro de aliança pouco fiel, “cede” sempre e acaba por recomeçar de novo…

É assim que neste belo texto proposto para primeira leitura deste domingo da Santíssima Trindade, Deus apresenta-se a si mesmo como “Deus clemente e compassivo, sem pressa para Se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade” (Ex. 34,6)
O contexto do texto dá-nos conta de que o Povo de Israel, acampado na base do monte Sinai, se deixou cair na tentação de adorar o “bezerro de ouro”, enquanto Moisés estava na núvem, que encobria o cimo do rochedo, recebendo de Deus a Lei gravada em pedra. Ao descer e ao ver aquele espectáculo, Moisés indignou-se e quebrou as tábuas de pedra da Lei (Ex.32).
Moisés consegue obter de Deus o perdão, mas Deus desafia o povo a seguir caminho. Caminhar parece ser a “terapia” que Deus propõe. Moisés não se sente capaz de o conduzir. Como lidar com um povo assim, duro e infiel?
Moisés  convence Deus a seguir Ele mesmo com o Povo, a “deixar o Sinai” e a caminhar com eles.  “15Moisés disse: «Se Tu mesmo não vieres connosco, não nos obrigues a partir deste lugar. 16Como havemos de saber que eu e o teu povo alcançámos graça aos teus olhos? Para isso, não será indispensável que caminhes connosco? É a única forma de nos distinguirmos, eu e o teu povo, de todas as nações da terra.” (Ex.33,15-16).
E, acedendo ao pedido de Moisés,   Deus  oferece uma “segunda edição” das tábuas da lei. Elas seguirão com o Povo, como sinal da Sua presença no meio do Povo a caminho. E aqui se situa o texto proposto para este domingo da Santíssima Trindade.

Deus que caminha com o seu povo. Não está fixo num templo, nem localizado em nenhuma montanha santa. Não precisa de altares nem se deixa representar nem pelo ouro nem pela prata. Mas vai no meio do seu povo numa Presença discreta.   É o Deus de Abraão, o Deus de Moisés,  o Deus de Jesus Cristo, o Deus do Povo.

Jn
09.06.2017

 

 

 

 

Veröffentlicht unter Palavras que não passam (AT), Uncategorized | Verschlagwortet mit , , | Kommentar hinterlassen

Pentecostes, o necessário Pentecostes

O Papa João XXIII anunciava o Concílio Vaticano II como um „novo Pentecostes“ para a Igreja. E como ela o necessitava! Depois de séculos de resistência ao mundo em mudança, depois de quase um século de barricada contra aquilo que se costuma chamar de „modernismo“, a Igreja estava sufocada, fechada em sacristias bafientas… E o Concílio foi um abrir de portas e janelas, para deixar entrar lufadas de ar fresco….

Que ficou do Concílio? Depois dos dois últimos papas, que pareciam mais preocupados em „por ordem“ na Igreja (levando a subentender que a desordem vinha do Concílio), Francisco convida a Igreja a sair…. As portas foram abertas por João XXIII e pelo Concílio. Mas a Igreja apenas saiu ao adro e voltou a recolher-se nas suas seguranças. Há que sair ! Para a periferia. Para o mundo, na sua polaridade de centros e de interesses… Há que sair!

O Pentecostes assegura que somos capazes. Que vale a pena. Que é necessário!
O Espírito que recebemos dá-nos a coragem que nos falta!

Leia ainda, se quiser, outra reflexão sobre o Pentecostes à sua disposição nos arquivos deste blog:

https://jamnunes.wordpress.com/2014/06/07/pentecostes-a-linguagem-nova-do-espirito-de-deus/

Veröffentlicht unter evangelho, Uncategorized | Verschlagwortet mit , , , , | Kommentar hinterlassen